UMA BREVE HISTÓRIA DA ARQUITETURA E URBANISMO

ARKHÉ TÉKTON: CONTEXTO HISTÓRICO

A origem da Arquitetura remonta há cerca de 10 mil quando os povos nômades, que antes habitavam as cavernas, começaram a dominar as técnicas de trabalhar com a pedra, criando abrigos para se proteger das intempéries e dos predadores. A predisposição do Homem para a vida social e o desenvolvimento da agricultura e da pecuária fez com que os habitantes, que antes usufruíam das cavernas e das primeiras construções, criassem as aldeias, evoluíssem para os povoados e mais tarde às cidades.

Os primeiros sítios habitados e em seguida as grandes civilizações conhecidas desenvolveram-se às margens de regiões onde havia água, pois o solo era fértil e ainda existia a facilidade de transporte e irrigação para uso na agricultura, pecuária e para os habitantes.

De acordo com relatos históricos e descobertas arqueológicas, os sumérios (povo que desenvolveu sua civilização na região sul da Mesopotâmia – atual Iraque, entre os rios Tigre e Eufrates, por volta de 6500 a.C. e 1950 a.C.) são considerados a primeira população urbana global. Sua civilização é destaque na arquitetura, engenharia, religião, leis, sociedade e política.

Aproximadamente no IV milênio a.C., a Suméria teve seu território dividido por cidades-estados independentes, as quais foram fisicamente delimitadas por canais e/ou muros de pedras. A estrutura social sumeriana sistematizava-se ao redor dessas cidades, como as de Ur, Kish, Nippur e Uruk, que eram distribuídas arquitetonicamente ao redor das burocracias sacerdotais e dos templos.

Etimologicamente, “arquitetura” deriva-se do grego “Arkhé Tékton” (Construção Principal), referindo-se à atividade de projetar e construir ambientes internos e externos para determinada (s) finalidade (s). É uma ciência, visto que seu conhecimento sistematizado é adquirido através da observação, identificação e explicação de determinadas categoriais como a elaboração de projeto, a organização de espaços e atividades, o agenciamento de recursos, o ordenamento, a tecnologia, os materiais e a estética, que são formulados de forma metódica e racional.

A Arquitetura manifesta-se tanto como atividade (arte e profissão), quanto como elemento físico (edificação, paisagem urbana, mobiliário), sendo assim, abrange a forma (edificação, volumetria, estilo, design), o contorno, o planejamento e o ordenamento urbano (urbanismo), o desenho de paisagem (paisagismo) e o desenho de mobiliário (desenho industrial).

O Urbanismo surgiu da necessidade de planejamento, organização e gestão das cidades e compreende-se por ser uma ciência humana aplicada de caráter multidisciplinar que dialoga principalmente com a arquitetura, a paisagem, o design, a sociologia e com políticas públicas que visa planejar e organizar a cidade.

MOVIMENTOS ARQUITETÔNICOS

Todo o desenvolvimento da Humanidade apresenta profundas modificações em ideias, interpretações, representações e até mesmo no próprio pensamento filosófico. Tais mudanças afetam a forma com a qual os indivíduos enxergam o mundo, transformando a linha de raciocínio, rompendo paradigmas e surgindo novos ideais. Deveras vezes, essa ruptura temporal filosófica influenciou profundamente a forma com que a arquitetura e áreas a fins se comportam, como por exemplo, a transição do período Gótico (XII ao XV d.C.) para o Renascimento (XIV ao XVI d.C.), onde no primeiro, a linha de pensamento predominantemente teocêntrica deu lugar a um raciocínio mais lógico e Humanista. Tanto a Arte quanto a Arquitetura classificam esses períodos da História. Na Arquitetura, eles representam os Movimentos ou Estilos Arquitetônicos e são julgados em decorrência de suas características, entre outras, conceituais, plásticas (volumétricas), funcionais, técnicas e construtivas. Diversos desses estilos coexistiram por um tempo.

Destaca-se os principais Movimentos da Arquitetura:

ARQUITETURA NEOLÍTICA (8000 a.C. – 3000 a.C.): grupos nômades que habitavam cavernas e construíam abrigos com materiais vernaculares.

ARQUITETURA ANTIGA (6500 a.C. – 700)

  • Arquitetura Sumérica (6500 a.C. – 1950 a.C.)

  • Arquitetura Babilônica (4000 a.C. – 300 a.C.)

  • Arquitetura Egípcia (4000 a.C. – 30 a.C.)

ARQUITETURA CLÁSSICA (700 a.C. – 400)

  • Arquitetura Grega (700 a.C. – 300 a.C.)

  • Arquitetura Romana (200 a.C. – 400)

ARQUITETURA MEDIEVAL (100 – 1300)

  • Arquitetura Bizantina (330 – 1453)

  • Arquitetura Românica (900 – 1100)

  • Arquitetura Gótica (1100 – 1300)

ARQUITETURA DA IDADE MODERNA (1300 – 1800)

  • Arquitetura Renascentista (final do século XIV – 1500)

  • Arquitetura Maneirista (1515 – 1600)

  • Arquitetura Barroca (1500 – 1700)

  • Arquitetura Colonial (1500 – 1822)

  • Arquitetura Rococó (1700 – 1800)

  • Arquitetura Neo (Neoclássica, Neogótica, Neocolonial) (1755 – 1830)

ARQUITETURA MODERNA (meados século XIX a 1950)

  • Arquitetura Eclética (meados do século XIX – início do século XX)

  • Artes e Ofícios (1880 - 1910)

  • Art Nouveau (1890 – 1910)

  • Art Déco (1910 – 1939)

  • Arquitetura Futurista (1910 -)

  • Arquitetura Modernista – “Estilo Internacional” (1910 – 1950)

  • Arquitetura Construtivista (1920 - 1930)

  • Arquitetura Brutalista (1950 – 1960)

ARQUITETURA PÓS-MODERNA (1950 – 1990)

  • Arquitetura Minimalista (1960 - )

  • Arquitetura High-Tech (1970 - )

  • Arquitetura Desconstrutivista (1980 - )

ARQUITETURA CONTEMPORÂNEA* (atual): representa a abertura de possibilidades do arquiteto utilizar do conceito e plástica da forma que preferir, inserindo elementos arquitetônicos dos diversos períodos aqui mencionados.

*Alguns autores não distinguem a Arquitetura Pós-Moderna da Contemporânea.

A INTERPRETAÇÃO DA ARQUITETURA

Bruno Zevi (1918-2000) foi um arquiteto e urbanista italiano que classificou em sua obra de 1984, “Saber Ver a Arquitetura”, como a arquitetura pode ser interpretada, dividindo-a em três grandes categorias (as que se relacionam ao conteúdo, as fisiopsicológicas e as formalistas):

 

  • Política: relacionam-se à dependência da arquitetura aos eventos políticos e às edificações imponentes, como no Império Romano, Constantinopla e até mesmo na arquitetura nazista de Hitler;

  • Filosófico-religiosa: dividindo-se em duas (fenômenos históricos que envolvem a cultura arquitetônica e simbolismo), é o aspecto visual da história, marca as diferentes maneiras filosóficas e religiosas (como do gótico ao renascimento e ao barroco) no decorrer dos tempos;

  • Científica: relaciona-se ao paralelismo entre as concepções matemáticas e geométricas, estabelecendo planos de simetria e eixos nas plásticas arquitetônicas;

  • Econômico-social: a arquitetura é a autobriografia do sistema econômico e das instituições sociais

  • Materialistas: a morfologia arquitetônica explica-se por meio das características geográficas e geológicas locais onde as edificações são construídas

  • Técnica: a forma da arquitetura e seus materiais empregados variam de acordo com a técnica conhecida para sua utilização

  • Fisiopsicológicas: estados de espírito em decorrência do estilo arquitetônico (Teoria de Einfühlung ou Teoria da Empatia)

  • Formalista: leis, qualidades, regras e princípios que a composição arquitetônica deve adotar, como unidade, escala, proporção, equilíbrio e simetria.

  • Espacial: as dimensões influenciam o valor espacial do ambiente e da edificação, a sensação espacial difere do pé-direito, cores, luz e sombra.

GESTALT E A ARQUITETURA

“Gestalt” (significa “forma” em alemão) é uma teoria da psicologia originária da Alemanha e Áustria no final do século XIX. Essa teoria estuda os elementos físicos que enxergamos em determinados momentos e como o compreendemos (de forma física ou/e psicológica). Baseando-se na crença de que “o todo é diferente da some de suas partes” (ou seja, um único elemento/objeto é diferente quando comparado ao seu coletivo para o observador), psicólogos da Gestalt desenvolveram um conjunto de princípios para explanar a organização perceptiva, ou o modo com que a mente humana engloba pequenos objetos para compor outros maiores. Foram e são aplicadas a todo momento na arquitetura, assim como na psicologia, as Leis Básicas da Gestalt.

 

AS LEIS BÁSICAS DA GESTALT

 

Unidade: entendida como elemento único que se encerra em si mesmo, ou como parte de um todo. O círculo, por exemplo, é uma unidade que encerra em si mesmo, porém se ele tiver em seu interior algum desenho, esse interior será as subunidades.

Segregação: capacidade de separar, identificar, evidenciar ou destacar unidades formais em uma composição ou em partes deste todo.

Fechamento (ou clausura): mesmo uma imagem abstrata dividida ou interrompida, devido à sua proximidade, gera formas abstratas que são instintivamente agrupadas e unificadas, pois tendemos a ignorar espaços vazios (buracos) e a completar contornos e linhas. A figura não precisa estar totalmente contornada, delineada para que o observador a compreenda inteiramente.

Proximidade: Elementos próximos uns aos outros tendem a ser vistos juntos, isto é, a constituírem unidades. Quanto mais curta a distância entre os elementos, mais próximo e unificado parece estar;

Semelhança: A igualdade de forma, do traço/tracejado e de cor desperta também a tendência de se constituir unidades, de fazer grupo de objetos a partir da semelhança entre eles;

Continuidade: tendência em seguir uma direção para conectar os elementos de modo que eles pareçam contínuos ou fluir em uma direção específica;

Pregnância (ou simplicidade): os objetos em um ambiente são vistos da forma mais simples possível. Quanto mais simples, mais facilmente é assimilada.

SABER VER A CIDADE

Kevin Andrew Lynch (1918-1984) foi um urbanista, no qual se destacou através de sua pesquisa baseada na experiência de como os indivíduos observam, compreendem e transitam pela paisagem urbana. Em uma de suas obras, “A Imagem da Cidade” (1960), conclui que as pessoas entendem as cidades formando mapas mentais e dividindo-os em cinco elementos principais:

  • Vias: logradouros, calçadas, ferrovias, ciclovias, entre outros caminhos;

  • Limites: são os contornos perceptíveis, tais como muros, construções e a costa/litoral;

  • Bairros: são seções relativamente grandes da cidade, distintas por alguma característica que as identifica (como vias, praças, rios/córregos, lagos, fragmentos florestais ou até mesmo o tipo de uso – comercial, residencial, industrial etc);

  • Pontos Nodais: pontos de convergência de pessoas, tais como cruzamentos ou praças;

  • Marcos: objetos peculiares (como edificações – hospital, aeroporto, escola etc – ou monumentos – Convento da Penha, Cristo Redentor, Arco do Triunfo) que podem ser utilizados como ponto de referência.

O ESPAÇO E A CIDADE

Em 1961, a jornalista estadunidense, Janes Jacobs, publicou um livro titulado “Morte e Vida nas Grandes Cidades” no qual critica duramente as políticas urbanas modernistas do século XX, alegando que tal planejamento urbano rejeita a cidade pelo fato desta preterir que os seres humanos convivem em comunidade. Essa ação de negar a cidade apontada por Jacobs significada a setorização racional da cidade (área para fins exclusivamente residenciais ou comerciais ou industriais), a falta de área de convívio social (praças, parques) etc.

Mais tarde, o arquiteto e urbanista, Jan Gehl, em um de seus livros, titulado “Cidade Para As Pessoas” (2010), protesta sobre o mesmo planejamento urbano modernista da segunda metade do século que continua até hoje. Para ele, as cidades foram projetadas e continuam sendo de forma a não favorecer a mobilidade urbana, sendo a dimensão humana esquecida e negligenciada, assim como as paisagens naturais, os espaços são abarrotados de edifícios privativos setorizados e alto incentivo ao uso de carro, aumentando a poluição sonora e atmosférica.

As cidades devem ser vivas, seguras, sustentáveis e saudáveis. Para isso, Gehl defende que o planejamento urbano deve priorizar pedestres, ciclistas e a ocupação dos espaços públicos.

Em “Cidade Para As Pessoas”, o autor norteia os planejadores urbanistas para que a cidade seja elaborada de forma a distribuir minuciosamente suas funções para garantir menor distância entre elas (menos tempo e mais facilidade de deslocamento e obsoleto o uso de determinados tipos de transportes), integrar várias funções da cidade para garantir versatilidade e uso contínuo, sustentabilidade, sensação de segurança, projetar o espaço de forma a torna-lo convidativo ao pedestre, ciclista e outros meios de transporte não motorizados, abrir espaço de transição entre edifícios e espaço internos e externos e reforçar  a longa permanência no espaço público, tendo ele infraestrutura e uso adequados.

Em Urbanismo, o Planejamento Urbano lida com políticas públicas relacionadas à qualidade de vida em áreas urbanas e rurais; tais Políticas Públicas representam um conjunto de programas, ações e atividades desenvolvidas direta ou indiretamente pelo Estado e com participação de órgãos públicos ou privados visando garantir a qualidade de vida do cidadão nos âmbitos de educação, saúde, mobilidade urbana, meio ambiente, habitação, promoção social etc. Dentro de tais políticas destacam-se o Estatuto das Cidades, o Planejamento Participativo e o Plano Diretor Municipal (PDM).

A FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE

A Função Social da Propriedade é descrita no inciso XXIII do Art. 5º da Constituição Federal de 1988 (e observada pela primeira vez na CF de 1934) cuja função é estabelecer condições ao direito de propriedade. Neste artigo, a CF de 1988 garante o direito de propriedade urbana e rural e logo após o limita alegando que a propriedade, além de servir aos interesses do proprietário, deverá atender às necessidades e interesses da sociedade (ou seja, cumprir a sua função social).

A Função Social da propriedade urbana é descrita no Estatuto da Cidade e no Plano Diretor Municipal (PDM) e a da propriedade rural é descrita no Estatuto da Terra. No caso do descumprimento da função social por parte de um proprietário urbano, o município pode aplicar sansões (como o aumento percentual da alíquota do IPTU e em último caso, a desapropriação). Em relação à propriedade rural, a mesma cumpre sua função social explorando a terra de forma sustentável e com respeito às legislações trabalhistas; no caso do descumprimento desse tipo, a terra poderá ser desapropriada e haverá a distribuição agrária.

O município cumpre sua função social urbana ao defender o direito do cidadão a habitação, ao trabalho, ao lazer e a circulação (mobilidade sustentável e equitativa).

A mobilidade urbana consiste na boa condição de deslocamento de indivíduos dentro de uma cidade cujo objetivo é desenvolver relações sociais e econômicas.

Conforme o Art. 98 do Código Civil, juntamente ao Anexo I do Código de Transito Brasileiro, a calçada é uma parte integrante da via pública, segregada e em nível diferente destinada à circulação de pedestres e à implantação de mobiliário, sinalização vegetação e iluminação.

A ARQUITETURA VITRUVIANA

A Arquitetura convencional trabalha em cima do que é conhecido como “Tríade Vitruviana” (venustas, firmitas, utilitas) que alega que para ser considerado “arquitetura”, o objeto deve conter (e em equilíbrio) a Forma, a Estética e a Função. Na ausência de um desses princípios de ordem projetual, faria com que a obra não pudesse ser considerada como tal.

Marcos Vitrúvio Polião foi um arquiteto romano do século I a.C e produziu uma obra titulada “De Architecture” (tratado europeu do período grego-romano que inspirou, até na contemporaneidade, textos em arquitetura, urbanismo, engenharia e hidráulica) que entre outros fatores, fundamenta os três princípios da arquitetura (forma, estética e função). Para Vitrúvio, todo arquiteto deveria possuir um conhecimento sistemático amplo, dentro das ciências e das artes, como geometria, história, matemática, música, medicina e astronomia.

Posteriormente, a obra de Vitrúvio inspirou o “Homem Vitruviano” de Leonardo da Vinci, a Proporção Áurea e a Sequência de Fibonacci.

 

Definição e relação dos três pilares vitruvianos:

 

  • Estética: da palavra grega “aisthesis”, significada “percepção sensorial”. A estética baseia-se de princípios compositivos organizados de (a) proporção, (b) volumes, linhas e planos e (c) harmonia e estilo. Em arquitetura, relaciona-se à plástica que é influenciada pela percepção dos sinais e características dos objetos diante da expressão objetiva dos mesmos (proporção, ritmo, hierarquia, volume, peso, cores, texturas, linhas etc) e à beleza que por sua vez é influenciada pela importância que o expectador transfere para o objeto, de acordo com seus valores e normas socioculturais temporais.

  • Funcionalidade: conjunto de qualidades que garantem a função do espaço arquitetônico ao qual se destina. A funcionalidade baseia-se no emprego do (a) programa de necessidades, (b) dimensionamento e (c) organização espacial.

  • Técnica: consiste em um conjunto de regras ou procedimento para execução de algo. Em arquitetura, relaciona-se à (a) tecnologia, (b) sistema construtivo e (c) materiais construtivos.

A BAUHAUS

A Bauhaus é uma escola de artes plásticas, design e arquitetura de vanguarda fundada em 25 de abril de 1919 em Weimar, Alemanha, pelo arquiteto Walter Gropius. Em 1925, ela foi transferida para Dessau, também na Alemanha. Esta Escola é uma das maiores e mais importantes expressões do Modernismo. Suas características estão nos preceitos de funcionalidade, nas linhas retas e nas formas simples, no visual minimalista da obra/objeto, em uso de novos materiais pré-fabricados, pouca ou nenhuma decoração ou adorno, uso da cor branca, etc.  A Bauhaus influenciou diversos arquitetos, artistas e designers, como Mies Van Der Rohe (Alemanha, 1886 – 1969) e Oscar Niemeyer (Brasil, 1907 – 2012).

Em 1933, o governo nazista fechou a Escola pois alegava que a mesma não seguia sua orientação política. Para os nazistas, ela possuía uma frente comunista. Além disso, a consideraram “anti-germânica” e não concordavam com seu estilo modernista.

Na arquitetura, a ação direta ou/e indireta da Bauhaus é fortemente presente nos ideais e na linguagem da Arquitetura Moderna e na Pós-Moderna.

Seu impacto sem precedentes nas décadas seguintes ao seu fechamento foi fundamental para o desenvolvimento das artes e da arquitetura na Europa Ocidental, na América (continente) e até mesmo em Israel.  A arquitetura (edifícios) e o urbanismo (setorização dos serviços – residências, comércios, lazer, indústrias, instituições etc – traçados de quadras e vias etc) do Plano Piloto de Brasília foram projetadas sob tendências modernistas e funcionais introduzidas pelo bauhasianismo.

Atualmente, a Bauhaus é considerada uma das melhores universidades em ensino da arquitetura, design, música, mídia, etc da Alemanha. 

As principais características do Pós-Modernismo em diante, está no estilo High Tech, no neobrutalismo, na sustentabilidade, no futurismo e no uso de materiais vernaculares.

SUSTENTABILIDADE 

O conceito de sustentabilidade baseia-se no fato de defender, utilizar, usufruir, sustentar de forma responsável os recursos naturais para que eles são se esgotem e para que o meio ambiente sofra interferências humanas de forma menos impactante.

 

O princípio de sustentabilidade aplica-se aos seguintes fatores:

 

  • Ecologicamente correto

  • Economicamente viável

  • Socialmente justo

  • Culturalmente diferente

 

Conforme o Guia da Sustentabilidade na Arquitetura, projetar é buscar soluções coerentes com as condições de exposição do empreendimento e com as demandas de seus clientes, usuários e sociedade. As questões ambientais e sociais sempre se caracterizaram como importantes no debate mundial, mas só recentemente é que se juntaram às questões econômicas e foram assimiladas como urgentes.

A arquitetura sustentável é a busca por soluções que atendam ao programa definido pelo cliente, às suas restrições orçamentárias, ao anseio dos usuários, às condições físicas e sociais locais, às tecnologias disponíveis, à legislação e à antevisão das necessidades durante a vida útil da edificação ou do espaço construído. Essas soluções devem atender a todos esses quesitos de modo racional, menos impactante aos meios social e ambiental, permitindo às futuras gerações que também usufruam de ambientes construídos de forma mais confortável e saudável, com uso responsável de recursos e menores consumos de energia, água e outros insumos.

O planejamento (o projeto) está diretamente associado ao sucesso da obra. É no projeto que se estuda e se elabora as melhores possibilidades de implantação dos elementos para que em sua execução, não hajam imprevistos que alterariam as qualidades da obra.

OS SETE ECOS

 

O planejamento (o projeto) está diretamente associado ao sucesso da obra. É no projeto que se estuda e se elabora as melhores possibilidades de implantação dos elementos para que em sua execução, não hajam imprevistos que alterariam as qualidades da obra.

A partir dos estudos de sustentabilidade aplicados em arquitetura e urbanismo, surgiram os “Sete Ecos”, comentados na bibliografia "Minha Casa Sustentável" e explicados a seguir:

 

  • Ecoeficiência da Água: aproveitamento de água pluvial, equipamentos economizadores de água (vaso sanitário com caixa acoplada e/ou com descarga de duas funções, torneiras com aerador, temporizador e/ou sensor de presença e encanamentos de qualidades e dimensionados corretamente;

  • Ecoeficiência de Acessibilidade: ambientes e espaços projetados para todos os tipos de pessoas, incluindo as Portadores de Necessidades Especiais – PNE (cadeirantes, cegos, etc);

  • Ecoeficiência de Energia: aquecimento solar, sistema fotovoltaico, energia eólica, sensores de presença, lâmpadas fluorescentes ou de LED;

  • Ecoeficiência de Materiais: ecoprodutos (areia reciclada, cimento CPIII, pavimentação permeável, madeiras plásticas ou de reflorestamento, telhado verde, verniz à base d’água, fachada verde e tintas naturais);

  • Ecoeficiência de Recursos Naturais: aproveitamento dos ventos predominantes, da vegetação, da insolação e da água;

  • Ecoeficiência de Resíduos: reciclagem e reuso de resíduos gerados durante e após as obras e tratamento de esgoto doméstico.

  • Ecoeficiência do Projeto: profissionais de qualidade, forma (para acompanhar a função), orientação (para captar e circular a ventilação e absorver adequadamente os raios solares), proporção (espaços e ambientes com dimensões apropriadas), setorização de áreas hidráulicas, cores (tons escuros absorvem mais calor e esquentam mais) e desníveis (aproveitar as curvas do nível do terreno).

PRINCÍPIOS BÁSICOS DE PLANEJAMENTO URBANO PARA CIDADES SUSTENTÁVEIS

  

Circuitos integrados de serviços urbanos: água potável, saneamento, luz elétrica e transporte público como um sistema único de infraestrutura;

Inclusão da sustentabilidade: abrangência dos serviços urbanos sustentáveis para toda a população residente e de turistas;

Inclusão da sociedade civil na proteção do meio ambiente: participação da comunidade na despoluição de rios e córregos e revitalização de espaços públicos;

Fomentação e intercâmbio entre cidades: compartilhamento de conhecimentos e experiências entre as cidades que introduziram sistemas sustentáveis (transporte etc).

NEUROARQUITETURA

A neuroarquitetura consiste no estudo multidisciplinar da relação entre neurociência e a influência que o espaço construído tem sobre o cérebro humano. Tal ciência pressupõe que o ambiente influencia de forma direta nos padrões (mais primitivos) e universais de funcionamento do cérebro, que foram sendo moldados ao longo da evolução.

Relacionando-se à psicologia ambiental, a neuroarquitetura, por meio dos estudos, entre outros, do Campo Sensorial (sensações e emoções), do Campo Cognitivo (o que o indivíduo conhece do mundo, experiências vividas, conhecimento adquirido e crenças pessoais) e do Campo Comportamental (tradução dos comportamentos), trabalha para analisar e fomentar a gama sensorial dos indivíduos em um ambiente e como consequência, haverá uma resposta comportamental para tal.

Na neuroarquitetura, aplica-se conceitos de design biofílico (diretriz direta ou indireta), Teoria da Empatia, do framing (enquadrar uma situação – normalmente comportamental), do nudging (“empurrão” – entrega uma informação através de projeto com indícios, não diretamente) e do priming (dá ao usuário uma sequência de estímulos para que ele seja convidado a exercer um determinado comportamento).

Um dos tópicos bastantes utilizados nela, para aumentar a gama sensorial, é o emprego de iluminação, design sinuoso, cores, formas, texturas, odores e iluminação.

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