Contexto Histórico

 

Arkhitekton: uma breve história da arquitetura e do urbanismo

A origem da Arquitetura remonta há cerca de 10 mil anos quando os povos nômades que antes habitavam as cavernas, começaram a dominar as técnicas de trabalhar com a pedra, criando abrigos para se proteger das intempéries e dos predadores. A predisposição do Homem para a vida social e o desenvolvimento da agricultura e da pecuária fez com que os habitantes, que antes usufruíam das cavernas e das primeiras construções, criassem as aldeias, evoluíssem para os povoados e mais tarde às cidades.

Os primeiros sítios habitados e em seguida as grandes civilizações conhecidas desenvolveram-se às margens de regiões onde havia água, pois o solo era fértil e ainda existia a facilidade de transporte e irrigação para uso na agricultura, pecuária e para os habitantes. 

De acordo com relatos históricos e descobertas arqueológicas, os sumérios (povo que desenvolveu sua civilização na região sul da Mesopotâmia – atual Iraque, entre os rios Tigre e Eufrates, por volta de 6500 a.C. e 1950 a.C.) são considerados a primeira população urbana global. Sua civilização é destaque na arquitetura, engenharia, religião, leis, sociedade e política. Aproximadamente no IV milênio a.C., a Suméria teve seu território dividido por cidades-estados independentes, as quais foram fisicamente delimitadas por canais e/ou muros de pedras. A estrutura social sumeriana sistematizava-se ao redor dessas cidades, como as de Ur, Kish, Nippur e Uruk, que eram distribuídas arquitetonicamente ao redor das burocracias sacerdotais e dos templos.

Etimologicamente, “arquitetura” deriva-se do grego “arkhitekton” (Construção Principal), referindo-se à atividade de projetar e construir ambientes internos e externos para determinada (s) finalidade (s). É uma ciência, visto que seu conhecimento sistematizado é adquirido através da observação, identificação e explicação de determinadas categoriais como a elaboração de projeto, a organização de espaços e atividades, o agenciamento de recursos, o ordenamento, a tecnologia, os materiais e a estética, que são formulados de forma metódica e racional.

A Arquitetura manifesta-se tanto como atividade (arte e profissão), quanto como elemento físico (edificação, paisagem urbana, mobiliário), sendo assim, abrange a forma (edificação, volumetria, estilo, design), o contorno, o planejamento e o ordenamento urbano (urbanismo), o desenho de paisagem (paisagismo) e o desenho de mobiliário (desenho industrial).

Com o crescimento dos centros urbanos na África, Ásia e Europa, surgiu a necessidade de planejamento, organização e gestão das cidades. Dessa forma, o urbanismo compreende-se por ser uma ciência humana aplicada de caráter multidisciplinar que dialoga principalmente com a arquitetura, a paisagem, o design, a sociologia e com políticas públicas que visa planejar e organizar a cidade.

A cronologia dos movimentos e estilos arquitetônicos

Todo o desenvolvimento da Humanidade apresenta profundas modificações em ideias, interpretações, representações e até mesmo no próprio pensamento filosófico. Tais mudanças afetam a forma com a qual os indivíduos enxergam o mundo, transformando a linha de raciocínio, rompendo paradigmas e surgindo novos ideais. Deveras vezes, essa ruptura temporal filosófica influenciou profundamente a forma com que a arquitetura e áreas a fins se comportam, como por exemplo, a transição do período Gótico (XII ao XV d.C.) para o Renascimento (XIV ao XVI d.C.), onde no primeiro, a linha de pensamento predominantemente teocêntrica deu lugar a um raciocínio mais lógico e Humanista. Tanto a Arte quanto a Arquitetura classificam esses períodos da História. Na Arquitetura, eles representam os Movimentos ou Estilos Arquitetônicos e são classificados em decorrência de suas características, entre outras, conceituais, plásticas (volumétricas), funcionais, técnicas e construtivas. Diversos desses estilos coexistiram por um tempo.

Destaca-se os principais Movimentos da Arquitetura:

ARQUITETURA NEOLÍTICA (10000 a.C. – 2000 a.C.)

Grupos nômades que habitavam cavernas e construíam abrigos com materiais vernaculares; houve a domesticação de vegetação e animais, novas formas econômicas e o desenvolvimento de novos assentamentos habitacionais.

ARQUITETURA ANTIGA (4500 a.C. – 333 a. C)

  • Arquitetura Sumérica e Acádia (4500 a.C. – 1950 a.C.)

  • Arquitetura do Egito Antigo (3200 a.C. – 30 a.C.)

  • Arquitetura Babilônica, Assíria e Pérsia (2000 a. C. - 333 a.C.)

ARQUITETURA PRÓPRIA - SEM GRUPO OU NOMEMCLATURA ESPECÍFICA (1500 a.C. - atualidade)

  • Arquitetura da China Antiga e Dinástica (1500 a.C. - atualidade)

  • Arquitetura da Índia Antiga (300 a.C - 1750 d. C)

  • Arquitetura Pré-Colombiana (900 a.C - 1532 d.C)

ARQUITETURA CLÁSSICA (700 a.C. – 340 d.C.)

  • Arquitetura da Grécia Antiga (700 a.C. – 100 a.C.)

  • Arquitetura da Roma Antiga (300 a.C. – 340 d.C)

ARQUITETURA MEDIEVAL (300 – 1500)

  • Arquitetura Cristã e Bizantina (313 – 1453)

  • Arquitetura Islâmica (632 - 1800)

  • Arquitetura Românica (1000 – 1200)

  • Arquitetura Gótica (1100 – 1530)

ARQUITETURA DA IDADE MODERNA (1400 – 1800)

  • Arquitetura Renascentista (1400 – 1630)

  • Arquitetura Barroca (1500 – 1700)

  • Arquitetura Colonial Brasileira (1500 – 1822)

  • Arquitetura Maneirista (1520 – 1600)

  • Arquitetura Rococó (1720 – 1780)

  • Arquitetura Neo (Neoclássica, Neogótica, Neocolonial) (1700 – 1800)

  • Arquitetura Pitoresca (final do século XVIII a início do XIX)

ARQUITETURA MODERNA (1850 a 1950)

  • Arquitetura Eclética (meados do século XIX – início do século XX)

  • Artes e Ofícios (1880 - 1910)

  • Art Nouveau (1890 – 1914)

  • Art Déco (1910 – 1939)

  • Arquitetura Futurista (1910 -)

  • Arquitetura Modernista – “Estilo Internacional” (1910 – 1950)

  • Arquitetura Construtivista (1920 - 1930)

  • Arquitetura Brutalista (1950 – 1960)

ARQUITETURA PÓS-MODERNA (1950 – 1990)

  • Arquitetura Minimalista (1960 - )

  • Arquitetura Metabolista (1960)

  • Arquitetura High-Tech (1970 - )

  • Arquitetura Estruturalista (1970)

  • Arquitetura Desconstrutivista (1980 - )

ARQUITETURA CONTEMPORÂNEA* (atual)

Representa a abertura de possibilidades do arquiteto utilizar do conceito e plástica da forma que preferir, inserindo elementos arquitetônicos dos diversos períodos aqui mencionados.

*Alguns autores não distinguem a Arquitetura Pós-Moderna da Contemporânea.

A Tríade Vitruviana

A arquitetura convencional trabalha em cima do que é conhecido como “Tríade Vitruviana” (venustas, firmitas, utilitas) que alega que para ser considerado “arquitetura”, o objeto deve conter (e em equilíbrio) a Forma, a Estética e a Função. Na ausência de um desses princípios de ordem projetual, faria com que a obra não pudesse ser considerada como tal.

Marcos Vitrúvio Polião foi um arquiteto romano do século I a.C e produziu uma obra titulada “De Architecture” (tratado europeu do período grego-romano que inspirou, até na contemporaneidade, textos em arquitetura, urbanismo, engenharia e hidráulica) que entre outros fatores, fundamenta os três princípios da arquitetura (forma, estética e função). Para Vitrúvio, todo arquiteto deveria possuir um conhecimento sistemático amplo, dentro das ciências e das artes, como geometria, história, matemática, música, medicina e astronomia.

Posteriormente, a obra de Vitrúvio inspirou o “Homem Vitruviano” de Leonardo da Vinci, a Proporção Áurea e a Sequência de Fibonacci.

 

Definição e relação dos três pilares vitruvianos:

 

  • Estética: da palavra grega “aisthesis”, significada “percepção sensorial”. A estética baseia-se de princípios compositivos organizados de (a) proporção, (b) volumes, linhas e planos e (c) harmonia e estilo. Em arquitetura, relaciona-se à plástica que é influenciada pela percepção dos sinais e características dos objetos diante da expressão objetiva dos mesmos (proporção, ritmo, hierarquia, volume, peso, cores, texturas, linhas etc) e à beleza que por sua vez é influenciada pela importância que o expectador transfere para o objeto, de acordo com seus valores e normas socioculturais temporais.

  • Funcionalidade: conjunto de qualidades que garantem a função do espaço arquitetônico ao qual se destina. A funcionalidade baseia-se no emprego do (a) programa de necessidades, (b) dimensionamento e (c) organização espacial.

  • Técnica: consiste em um conjunto de regras ou procedimento para execução de algo. Em arquitetura, relaciona-se à (a) tecnologia, (b) sistema construtivo e (c) materiais construtivos.

Escola das artes: a Bauhaus

A Bauhaus é uma escola de artes plásticas, design e arquitetura de vanguarda fundada em 1 de abril de 1919 em Weimar, Alemanha, pelo arquiteto Walter Gropius. Em 1925, ela foi transferida para Dessau, também na Alemanha. Esta Escola é uma das maiores e mais importantes expressões do Modernismo. Sua visão era de fomentar a formação profissional através da arte.

A função é fundamental: a busca dos arquitetos e designers bauhasianos era de produzir objetos que pudessem ser reproduzidos em escala industrial (rapidamente e em grande quantidade), que tivessem baixo custo e principalmente que fossem funcionais. Suas características estão ainda nas linhas retas e nas formas simples, no visual minimalista da obra/objeto, em uso de novos materiais pré-fabricados, pouca ou nenhuma decoração ou adorno, uso da cor branca, etc. O “Estilo Bauhaus” também ficou conhecido como “Estilo Internacional” por não possuir uma impressão artística ou cultural vernacular, assim sendo, era “neutra” e poderia ser adotada, igualmente, em qualquer parte do mundo.

A Bauhaus influenciou diversos arquitetos, artistas e designers, como Mies Van Der Rohe (Alemanha, 1886 – 1969) e Oscar Niemeyer (Brasil, 1907 – 2012).

Em 1933, o governo nazista fechou a Escola pois alegava que a mesma não seguia sua orientação política. Para os nazistas, ela possuía uma frente comunista. Além disso, a consideraram “anti-germânica” e não concordavam com seu estilo modernista. Seu impacto sem precedentes nas décadas seguintes ao seu fechamento foi fundamental para o desenvolvimento das artes e da arquitetura na Europa Ocidental, na América (continente) e até mesmo em Israel.

Na arquitetura, a ação direta ou/e indireta da Bauhaus é fortemente presente nos ideais e na linguagem da Arquitetura Moderna e na Pós-Moderna.

A arquitetura (edifícios) e o urbanismo (setorização dos serviços – residências, comércios, lazer, indústrias, instituições etc – traçados de quadras e vias etc) do Plano Piloto de Brasília foram projetadas sob tendências modernistas e funcionais introduzidas pelo bauhasianismo.

Atualmente, a Bauhaus é considerada uma das melhores universidades em ensino da arquitetura, design, música, mídia, etc da Alemanha.

As principais características do Pós-Modernismo em diante, está no estilo High Tech, no neobrutalismo, na sustentabilidade, no futurismo e no uso de materiais vernaculares.

[FONTES: ArchDaily | Super Interessante | Scielo | Prof. Kelly Lima | História Ilustrada da Arquitetura | Arte Comentada | Tudo Sobre Arquitetura]